Com gás de juvenil

1/06/08

A dúvida durante a semana era o que seria melhor para o Náutico, o time reserva ou o titular do Botafogo. Uns torceram a favor do Fogão na Copa do Brasil, esperando ter pela frente um misto frio, fácil de devorar. Os jogadores, curiosamente, queriam o time titular. Para eles, os titulares correm menos, estão estabilizados e se deixam acomodar. A meninada, não, é um tesão de noivo, vai em todas as bolas. Pois bem, o Náutico enfrenta os titulares do Botafogo, como queriam os próprios atletas alvirrubros, e pode até ser que seja algo positivo. Afinal, o time da Estrela Solitária chega moralmente arrasado por mais um fracasso que findou, inclusive, com a saída do treinador. O Fogão vem morno, sem técnico, com a cabeça inchada. Mas mesmo assim é um time perigoso. Primeiro, porque é um time bom. Segundo, pois não há nada melhor que a chamada volta por cima. A tarefa alvirrubra é, justamente, manter o astral do adversário lá em baixo. Para isso, é importante começar a partida bem. Se o Náutico se impuser em campo, não abrirá espaços para o adversário. Estrear um técnico, é bom lembrar, ajuda. Costuma-se dizer que os atletas gostam de mostrar serviço ao novo chefe, dar aquele gás que não costumam dar sempre. Igualziho aos meninos da categoria de base, tão temidos pelos jogadores alvirrubros. Nos Aflitos, o time titular do Náutico vai enfrentar o Botafogo com gás de juvenil. Vamos ver no que dá.

Zeros à direita

31/05/08

Não queria estar na pele de Nelsinho. A não ser na hora de administrar a conta-corrente dele. Mas o técnico do Sport não lida com número na casa dos oito dígitos por acaso. Justamente por ter que pensar e decidir em horas delicadas é que ele faz por merecer o que recebe e recebeu na carreira vitoriosa dele. Contra o Inter, o treinador tem uma dúvida que, para mim, é cruel, mas que para ele pode ser tão prosaica como comer um pacote de amendoim. Que time botar no Beira-Rio? Nelsinho disse que não vai poupar ninguém. E de poupança ele deve entender, assim como de aplicações financeiras mais complexas. Eu compreendo o treinador. Caso perca no Sul, o Sport pode entrar na zona de rebaixamento. Tudo bem, é o início, mas para tudo se tem um início. Depois do Inter, o Leão encara (ainda envolvido na disputa da Copa do Brasil), o Palmeiras, na Ilha. Osso duro. Depois, campeão ou não, joga contra Figueirense e São Paulo, fora de casa. No panorama mais negativo, se o Sport perder o título e não pontuar muito, pode ficar sem vaga na Libertadores e passar o resto da temporada lutando contra o rebaixamento. Por outro lado, o Leão disputa o título mais importante da vida dele. Está certo, é campeão brasileiro, mas cheio de mas-mas-mas, do tipo mas não enfrentou tal time, mas ganhou no tapetão, etecétera. Agora, não tem mas-mas-mas, enfrentou quem tinha que enfrentar. Sem falar nos benefícios de ganhar um mercado internacional, entre outros que eu talvez não seja possível, ainda, vislumbrar. Assim sendo e, como se está no início da competição, parece prudente escalar um mistão contra o Inter e seja o que Deus quiser. Eu faria assim, confesso, mas talvez seja um covarde ou não enxergue tão longe como Nelsinho. E este seja o motivo que fazem nossas conta-correntes terem mais ou menos zeros à direita.

E Bala conversou com Deus

30/05/08

Longe de mim me meter nas crenças dos outros. Deus que me perdoe, Alá que me proteja, Buda me salve e todos os meus orixás, também, que eu não quero ver minha pobre alma impedida de reencarnar. Mas não poderia deixar escapar a declaração de Bala, após converter o pênalti (e converter os infiéis, também, que não acreditavam no Sport) que classificou o Leão para a final da Copa do Brasil. Talvez ainda sob o efeito inebriante da vitória, o atacante rubro-negro disse, em alto e bom som, no microfone da SporTV que Deus havia falado com ele. Note o detalhe: não foi ele quem falou com Deus, mas o contrário. Segundo Bala, ele ia dirigindo para o treino e Deus, do nada, falou com ele. No trânsito. Devia ser um engarrafamento daqueles para que até Deus estivesse preso. Antes que algum guarda observasse que Bala estava distraído no volante e o multasse, Deus disse que Bala era o cara e que o Sport venceria a Copa do Brasil. Deus me livre de duvidar disso, até porque eu também creio na vitória rubro-negra, com ou sem o intermédio do Todo-Poderoso. Acho até que o Sport tem melhor time que o Corinthians e Deus poderia se preocupar com algo mais trabalhoso, como impedir catástrofes naturais e algumas enfermidades. Mas o curioso mesmo é que a cena do diálogo de Bala com Deus me lembrou outro atacante que também andou falando com o Divino. Romário, ainda no Vasco, se não me falhe a memória (e ela anda falhando que só), disse que Deus, um certo dia, havia apontado para ele e dito que o Baixinho era o cara. E Deus, como era de se esperar, não errou. A coincidência, além de Romário e Bala serem baixinhos (assim como eu também sou) é que São Januário estava envolvido com tudo isso, pois Romário vestia a camisa vascaína e foi justamente no campo cruzmaltino que Bala confessou o contato imediato com o Ele. A impressão é que o padroeiro vascaíno tem bom trânsito no Paraíso. O que me intriga e deveria também intrigar Bala é que se Deus realmente se intromete no futebol, o Sport corre grande risco. Pois se Deus é Fiel, ele deve torcer pelo Corinthians.

  

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 Flagrante do exato momento em que Deus dá um toque para Carlinhos Bala

O assunto é, até que enfim, futebol

30/05/08

Finalmente, a gente fala do futebol do Santa Cruz. Até que enfim o assunto não é o impeachment de Edinho, articulações da oposição ou a situação calamitosa que vivem os funcionários do clube. Não que isso não seja importante, pelo contrário, mas é sintomático que se fale de um time de futebol sem escrever uma linha sequer sobre, justamente, futebol. O Tricolor fez o que deveria ter feito antes e botou o elenco para desenferrujar na Copa Pernambuco. É verdade que a competição não serve para nada, talvez nem de parâmetro para alguma coisa, mas também é verdade que jogador não pode ficar sem jogar. Assim, se a Copa Pernambuco não muda a vida de nenhuma agremiação, pelo menos mexe com os atletas e, quiçá, ainda pode permitir que o técnico Fito Neves faça algumas observações. O curioso é que na estréia coral, na goleada de 7×1 contra o Catende, seis gols foram marcados por três jogadores do Porto, cedidos por empréstimo ao Arruda. Sem ser maldoso, na verdade quem goleou foi o Porto, com a camisa do Santa Cruz. Faz parte. A tendência é que as outras peças se aqueçam e passem também a contribuir. É bom lembrar, aí voltando ao assunto da importância de se manter o ritmo, que a Série C é um torneio de tiros curtos. A primeira fase, por exemplo, tem seis jogos, o que não permite de um time se dar ao luxo de adquirir condicionamento e entrosamento durante a competição. Se não começar bem, pode ser o início do fim.

A favor do misto

25/05/08

O que há de errado com um misto? A receita é simples, queijo e fiambre, com pão torrado na manteiga. Simples, mas saboroso. Quebra mais que um galho e enche a barriga. Ainda por cima, fácil de fazer. Daí o meu voto pelo misto do Sport em campo. Afinal, o misto do atual Leão é melhor que um Bauru ou (Novo) Hamburgo da vida, que a gente não sabe nem em que divisão (ou dimensão) está. Melhor que americano, então, nem se fala, pois americano nem de futebol entende. Assim sendo, escala o misto, Nelsinho! Até porque, o time que o Fluminense vai mandar para a Ilha, o tal “subalgumacoisa” (subnutrido, talvez), aquele mesmo que perdeu para o Náutico na última rodada, não faz medo a ninguém. Não tem sustância. E se viesse o titular, seria a favor do misto do mesmo jeito. Afinal, não se está com um pé na final da Copa do Brasil todo dia. Os rubro-negros têm a semana mais importante do ano (quiçá do milênio) e não se podem dar ao luxo de atrapalhá-la por causa de uma rodadazinha do Brasileiro. É certo que o time está ficando para trás na tabela, mas as chances de somar a primeira vitória ainda assim é grande. Depois do título da Copa do Brasil, resolve-se o que tiver que se resolver no Brasileiro. Não dá é para dividir as atenções, sob o risco de não ficar com uma coisa, nem outra.  Bota o Misto em campo, Nelsinho. Ou melhor, em campo, não, na chapa. Chapa quente, para ferver a garotada ainda crua que o Flu está servindo.

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Boas e más notícias

23/05/08

Faz tempo que não falo do Santa Cruz. Mas não me crucifiquem (perdoe-me o trocadilho infame). Às vezes é difícil lembrar que o Santa Cruz existe. Mas o Tricolor teve uma semana produtiva, pelo menos no quesito notícia. Já estava cansado com aquela lenga-lenga de fica Edinho, sai Edinho, que sempre me dá a impressão que não vai para lugar algum. A boa notícia é que o Porto emprestou três (podem ser quatro) jogadores para o Santa. A má é que o Porto emprestou três (podem ser quatro) jogadores para o Santa. Não pelos jogadores em si, mas porque o Santa agora depende do Porto (nada contra o Porto) para se reforçar. Para se ver o tamanho do drama, houve um princípio de suspense quando o Ypiranga desistiu da Série C, seguido pelo Serrano. A vez era do Petrolina e, caso esse também tocasse, o Porto seria o convidado. Ou seja, bye-bye reforços. Para a felicidade coral, o Petrolina aceitou. Êêêêê! É de se comemorar, mas é também de se lamentar onde o Santa chegou. Mas não vou alimentar a minha fama de ser chato, ácido e crítico, só para citar o que costumam dizer de bem sobre a minha pessoa. Acho que o Santa vive realmente uma crise, que Edinho não sabe o que está fazendo e que o horizonte é nublado, para não usar um outro eufemismo que poderia soar meio politicamente incorreto. Mas acho também que não é hora de se lamentar demais. Edinho não vai renunciar, o técnico é, para não criar muita polêmica, meio esquisito e o Porto tem melhor elenco que o Santa, e o que vier de lá é melhor do que o que se tem aqui. Ponto-final. Estou cansado de ficar falando. Vou esperar e torcer, como se fosse um torcedor do Santa.

A hora da lista de candidatos

20/05/08

Cabe agora ao Náutico ter paciência na hora de buscar um nome para treinador. Experiente dando sopa por aí só Geninho, que fez um bom trabalho no Sport. Mas é caro para os padrões alvirrubros. 

Pode haver, é claro, mas pouco provável, uma troca com Ney Franco, que deixou o cargo para Roberto Fernandes. 

Se a saída for pescar na Segundona, o ex-goleiro da Seleção Sérgio (finalista do Paulistão pela Ponte Preta) ou o ex-volante do São Paulo, Pintado (no São Caetano), estão no perfil utilizado pelo clube ultimamente.  

Mas como o Timbu vem se reforçando no Rio Grande do Sul (atacante Wellington, meia Roger, os laterais João Paulo e Itaqui, e o goleiro reserva André) – onde o superintende do clube, Sangaletti, sente-se à vontade - nada me estranharia se Zetti (atualmente no Juventude, vice-campeão gaúcho com direito a sofrer um 8×1 na decisão) aportasse nos Aflitos. 

Outro gaúcho que anda sumido, mas tem status de figurão, é Tite, ex-Grêmio, Palmeiras e outros tantos, que também pode ser um palpite.  

Corre por fora Émerson Ávila (atualmente no Grêmio Barueri e que subiu para a Série A com o Ipatinga), que é tão desconhecido quanto Roberto Fernandes era.

A hora certa de sair

20/05/08

Hora certa, hora certa, talvez realmente não seja nunca. Mas se for para perder um técnico durante o Brasileirão, o Náutico perdeu no momento, digamos, menos desfavorável. Afinal, é início de competição e é sempre bem menos árduo convencer alguém para assumir um time que momentaneamente está no topo da tabela. Roberto Fernandes parte para o Atlético-PR após cumprir seu papel nos Aflitos. Como técnico (e também como torcedor), livrou o time do rebaixamento no ano passado, o que não deixa de ser uma demonstração de competência.   Agora, ele terá pela frente seu primeiro desafio com “D” maiúsculo. Afinal, se no Náutico ele sempre tinha uma blindagem por ser declaradamente torcedor alvirrubro e também por ser pernambucano, essa manha acabou no Sul. Não seria um exagero, assim, dizer que ele agora fará sua estréia na Primeira Divisão.  

E se para o Timbu é o momento menos melindroso para perder um treinador, para Roberto Fernandes é a hora certa de deixar os Aflitos, onde já vinha sendo criticado por “inventar” em demasia. E inventava, mesmo, nem sempre acertando. Boa sorte a Roberto Fernandes. E boa sorte ao Náutico, também.

Dá tempo de recuperar, mas…

19/05/08

Comentei o jogo do Sport sábado pelo Premiere Futebol Clube. A tantas horas, Rembram Júnior disse que o Leão, após a partida contra o Vitória, iria voltar a pensar na Copa do Brasil.Corrigi de bate-pronto o lapso dele: era o Brasileirão, mas o Sport ainda pensava na Copa do Brasil. O resultado todo mundo já sabe, um empate insosso em todos os sentidos, contra o Vitória, um candidato ao rebaixamento. A primeira impressão é de que ainda faltam 36 rodadas, tempo demais para a recuperação. É verdade. Mas é verdade também que o Sport pode enfrentar o Fluminense com os titulares (caso o Flu saia da Libertadores) e, pior, o Sport com um mistão, a fim de poupar o elenco para o jogo de volta da Copa do Brasil, contra o Vasco, no Rio. É verdade também que o Leão terá, após a partida contra o Flu, dois adversários loucos por uma revanche: o Internacional, no Beira-Rio, e o Palmeiras, na Ilha do Retiro. Caso avance na Copa do Brasil, o Sport provavelmente enfrentará ambos com sua formação não titular. O périplo continua com Figueirense e (ai meu Deus!), o São Paulo, estes longe do Recife.  Ou seja, dá tempo para recuperar, sim, mas é bom colocar a cabeça no devido lugar e não deixar o tempo passar.

Favorito sem ser

16/05/08

Uma overdose de veneno de cupim me tirou do ar. Ontem, parecia mais a zaga do Internacional, parado, vendo o Sport jogar. Falando nisso, antes tarde, mas nunca nunca. O Sport me surpreendeu. Não pela classificação em si. Mas pela maneira como ela aconteceu. Sinceramente, não acreditava que isso acontecesse após o empate gaúcho. Eu e boa parte da torcida leonina, inclusive a que lotava a Ilha do Retiro. Mas o Sport é um time iconoclasta. Gosta de derrubar ídolos. Primeiro, o Palmeiras. Depois, o Inter. Agora, quem virou o bicho-papão é o próprio Sport. Eis o perigo. O Leão venceu o Inter da maneira que venceu porque manteve a humildade, sem perder a esperança e, principalmente, a garra. Sabia da sua capacidade, acreditou nela e seguiu na luta. Já o Colorado não acreditava no Sport. Acabou surpreendido. Contra o Vasco, o Sport está numa posição que não é habitual contra times do Sul/Sudeste: a de favorito. Mas o Rubro-negro não pode cair no erro de seus adversários anteriores. Não pode achar que é o favorito. A armadilha é essa. Cabe aos rubro-negros manterem a postura humilde, sem que isso se confunda com submissão. O Leão é favorito, sim, à final, quiçá ao título, mas só chegará lá se continuar pensando que os favoritos são os outros.